Controle informatizado de máquinas

Controle informatizado de máquinas



Adoção de ferramentas de TI para gestão e manutenção de maquinário usado em obras de infraestrutura reduz custo em administrações públicas e concessionárias

Alexander Kirch/sHutterstocK

 

A exemplo de outras atividades administrativas, a gestão de máquinas tem se beneficiado muito da evolução e da convergência tecnológica. A combinação de meios como internet, redes de celular em banda larga, satélite e sistemas de telemetria trouxe melhorias para softwares antigos e fez surgir novos aplicativos com recursos múltiplos para os mais diversos negócios. Aplicadas ao setor público, os benefícios proporcionados pelas ferramentas de TI ganham ainda mais relevância, uma vez que prolongam a vida útil do patrimônio e promovem a modernização, a transparência e o melhor uso do dinheiro público.
“Numa frota de 100 caminhões médios rodando 7 mil km por mês, o aprimoramento do gerenciamento pode resultar em redução de custos de quase R$ 100 mil por mês”, ilustra Frederico Junqueira Nicolau, professor de controle de frotas do Instituto Brasileiro de Administração Pública (Ibrap) e diretor da Pró User Consultoria e Informática.
Nicolau destaca o caso da cidade paulista de São Sebastião, onde um aplicativo especializado enxugou custos em 60% devido, principalmente, ao controle de almoxarifado de peças sobressalentes integrado com o programa de manutenção de mais de 350 veículos. “A economia foi reconhecida pelo próprio Tribunal de Contas do Estado, mas houve descontinuidade, o que é uma constante no setor público”, lamenta.
Marcelo Ávila Fernandes, diretor-presidente da Astrein, especializada em software para gestão de ativos, explica que não há um número mínimo de veículos ou máquinas que justifique investimento em sistemas informatizados de gestão. “O que importa é a criticidade do equipamento e o desejo de ampliar o custo-benefício da infraestrutura, liberando caixa para investimento em novas obras”, diz ele.
divulgação: Sanasa
Frota da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa)
é gerenciada por software que permite solicitação de serviço e reparo
via internet
Fernandes destaca que a interface das soluções se torna cada dia mais amigável, a despeito da incorporação de múltiplos recursos. “Os softwares funcionam com browsers de internet com os quais as pessoas já estão familiarizadas, sem necessidade de instalar programas no computador do usuário”, afirma, acrescentando que os fornecedores oferecem treinamento tanto para o pessoal encarregado de solicitar os serviços de manutenção quanto para os usuários em cargos de gestão.
O executivo da Astrein aponta o controle de peças como um dos recursos mais relevantes na gestão de patrimônio e manutenção. “Não se faz manutenção sem peças, daí a importância dos módulos que controlam o estoque de sobressalentes, cuidando para que haja acompanhamento do consumo de cada item, reposição automática e rápida identificação de materiais e serviços necessários para ações corretivas e preventivas”, resume.
A Sanasa, companhia de água e saneamento de Campinas (SP), é uma das empresas que utilizam o software da Astrein para gerenciar mais de 4.500 equipamentos, incluindo motores, bombas, inversores e transformadores, entre outros. A companhia adquiriu módulos de administração, cadastros básicos, equipamentos e gestão, além dos relacionados com solicitações e ordens de serviço.
Segundo Ricardo Danieli Zanin, coordenador de planejamento e engenharia de manutenção da Sanasa, os benefícios do investimento são incontáveis, a começar pelo controle de equipamento por localização, por tipo, por capacidade e por forma de instalação. Além de aumentar a satisfação dos clientes internos com mais agilidade e eficiência na manutenção, a solução permitiu uma série de economias em diversas etapas do processo. Como exemplos de melhorias que resultaram em enxugamento de custos, Zanin cita o controle dos serviços prestados por terceiros e a identificação, por meio da data de garantia, dos equipamentos que podem ser reparados sem custo.
Sem especificar o total do investimento, Zanin explica que, além dos custos diretos para aquisição, manutenção e atualização do software, a Sanasa arca com custos indiretos que envolvem dois técnicos especializados e veículo utilizado no cadastramento e identificação de máquinas, além de materiais como máquina fotográfica e placas de identificação, entre outros. “É preciso ter plena consciência de que o projeto é de médio a longo prazo e seus resultados começam a surgir após três a cinco anos”, alerta.
No caso de soluções embarcadas e com recursos de telemetria, como o Case Care Geotracs, usado em equipamentos de construção, uma grande vantagem é ter equipes de especialistas dedicados que, a partir de centrais remotas de fornecedores ou concessionários, monitoram a localização e o funcionamento das máquinas em regime 24×7. “Todo evento, desde a sujeira em um filtro de ar e o aquecimento do motor até o rompimento da cerca eletrônica, gera sinal de alerta em um painel remoto. A partir daí, um profissional se encarrega de contatar a empresa usuária que, por sua vez, alerta o operador da máquina”, explica Leandro Yokoti, engenheiro de pós-venda da Case Construction.
Segundo Yokoti, a implantação de ferramentas remotas de gestão de frotas resulta em redução no tempo de atendimento (10% a 40%), aumento da eficiência e produtividade das equipes (40% a 60%), redução de custos operacionais (15% a 40%), aumento da disponibilidade das instalações (5% a 15%) e redução de corretivas (40% a 60%).
Confira os custos e as principais características de algumas ferramentas de gestão e manutenção de máquinas.
SSA – Shared Services Astrein
Usado por empresas como a Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento (Sanasa), em Campinas (SP), e a Companhia de Gás de São Paulo (Comgás), este software com dez módulos destina-se à gestão de manutenção tanto de equipamentos quanto de instalações prediais ou veículos. A solução funciona integrada com qualquer sistema de gestão de materiais ou de compras. Usa plataforma Microsoft.NET e banco de dados Microsoft SQL Server ou Oracle. A companhia usuária paga um valor fixo para implantação e treinamento e um valor mensal para manutenção. Um investimento para cinco usuários gestores e 25 usuários solicitantes de serviços, por exemplo, sai em torno de R$ 50 mil, com taxa mensal de manutenção em torno de R$ 1 mil.
1 Solicitação de serviço a qualquer hora e de qualquer lugar
O módulo de solicitação pode ser acessado a partir de qualquer lugar, via internet. O usuário informa o problema no formulário específico e a solicitação do serviço segue automaticamente para o destinatário correto. Cada solicitante pode consultar a situação dos seus pedidos e o histórico dos chamados.
2 Planejamento de equipes, materiais e custos
A abertura de ordens de serviço (OS) serve tanto para solicitar correções quanto para planejar manutenção preventiva. Para cada OS, são identificados aspectos diversos, como equipamento ou o local que receberá o serviço, periodicidade da OS, data prevista para execução, procedimento padrão e equipe responsável. É na ordem de serviço que o usuário faz o planejamento da execução, com lançamento dos gastos reais e geração de um histórico técnico e econômico para cada equipamento. Trata-se de um processo essencial, porque é com base nele que o gestor conhece os custos efetivos e, assim, decide se vale a pena consertar ou substituir o equipamento.
3 Manutenção preventiva e mobilidade
A solução inclui recurso de mobilidade em que a conexão é feita pela internet via smartphone ou outros tipos de coletores de dados. A funcionalidade dispensa a impressão de ordem de serviço e aumenta a agilidade das tarefas, uma vez que os dados coletadas no equipamento alimentam o sistema, sem necessidade de digitação posterior. Além de útil para registros de anomalias e apontamentos de ordens de serviços, a mobilidade é importante para inspeções que identificam precocemente os problemas.
4 Gráficos e relatórios personalizados
Os gestores acompanham processos por meio de relatórios e painéis que mostram os principais indicadores de desempenho. Essas apresentações podem ser configuradas de acordo com o perfil do usuário, seja um gestor público, um chefe de seção ou um chefe de execução. O sistema é todo mapeado para controlar tanto as visualizações quanto as ações de cada pessoa, mediante senha.
5 Controle de peças e biblioteca
O módulo que controla o estoque de sobressalentes cuida para que, entre outras coisas, as reposições sejam solicitadas automaticamente sempre que uma quantidade mínima for acusada. É possível saber detalhes de cada peça, como dados de consumo e em qual equipamento é utilizada. O software também possibilita criação de biblioteca com manuais, certificados de garantia, listas de sobressalentes e outros documentos. Com essa função, é possível rastrear e acessar a documentação técnica, via web, mesmo se houver remanejamento de pessoas ou deslocamento de equipamentos.
Sistef – Sistema Especialista de Frotas da Pró User
Experimentado por municípios como São José dos Campos (SP), o Sistef controla frotas de veículos de carga ou de passageiros e aplica-se a empresas públicas ou privadas que não tenham o transporte como atividade fim. É composto por 16 módulos que podem ser adquiridos gradativamente e integrados com tecnologias complementares, como rastreamento de veículos via satélite. O sistema é baseado em plataforma Windows e banco de dados Oracle ou Microsoft SQL server. O seu custo varia de acordo com tamanho da frota, módulos adquiridos e número de estações de trabalho. Em média, os valores mensais ficam entre R$ 700,00 e R$ 800,00, incluindo suporte remoto e novas versões.
1 Telas amigáveis
Com telas simples, o Sistef possibilita cadastramento, planejamento e gerenciamento que abrangem desde recursos humanos até cálculos sofisticados de custos operacionais da frota. A solução conta com os módulos de veículos, lubrificantes, manutenção,
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pneus, almoxarifado, custos globais, produção, acerto de viagem, apontamentos de mecânicos, compras e portaria. Os lançamentos manuais, como os relacionados com retirada e colocação de pneus, podem ser facilitados com coletores de dados. O acesso de cada usuário ao sistema é previamente configurado.

2 Importação e validação de dados
Em frotas pequenas, muitos lançamentos de dados, como os que dizem respeito a abastecimento de combustível, podem ser feitos por uma única pessoa. Empresas dispersas geograficamente podem optar por modelo de gestão centralizada, mas com controle descentralizado, quando os lançamentos são feitos a partir de filiais. A solução valida todos os dados lançados, com base no histórico do veículo. O software também permite a integração com sistemas externos para importação automática de dados, como gastos em oficinas de terceiros e em sistemas de pagamento automático de combustíveis ou de pedágio, como o Sem Parar/Via Fácil.
3 Gráficos e relatórios configuráveis
Relatórios e gráficos comparativos facilitam a análise gerencial de consumo da frota. É possível, por exemplo, comparar o consumo de combustível em km/l de vários veículos do mesmo modelo que trafegam nas mesmas condições operacionais. Com auxílio de outros gráficos, os gestores podem iniciar diferentes linhas investigativas visando identificar causas e soluções para eventuais disparidades. Essa análise é essencial, uma vez que pequenas economias diárias obtidas individualmente em uma frota podem resultar em ganhos expressivos no fim do mês.
4 Visão global dos gastos com a frota
O foco do Sistef é o controle de gerenciamento dos gastos diretos, mas as despesas administrativas também são contabilizadas, para dar ao gestor a visão global dos gastos. Cada componente tem os seus custos e sua evolução detalhados em módulo específico.
5 Custos variáveis sob controle
O próprio usuário pode parametrizar relatórios e gráficos, configurando-os de acordo com a necessidade do momento. O sistema possibilita inúmeras filtragens de dados e atalhos para as informações que realmente irão auxiliar a tomada de decisão. Um dos gráficos mais utilizados é o que mostra a composição de custos variáveis, que envolvem todos os itens que compõem um veículo. Colocados lado a lado, em evolução, eles indicam quais itens estão pesando mais na manutenção da frota, e embasam ações corretivas ou preventivas.

Care Geotracs
O Case Care Geotracs, da Case Construction, é uma solução que gerencia as máquinas da marca, que incluem escavadeiras, retroescavadeiras, motoniveladoras e outros equipamentos. A solução combina tecnologias de celular, satélite e telemetria para gestão em tempo real. O software vem embarcado ou é adquirido posteriormente. O custo varia conforme impostos e margens praticadas pelos concessionários. Toda máquina com a tecnologia é monitorada por centrais dos concessionários espalhadas pelo Brasil, que comunicam os proprietários sobre falhas apresentadas pelo equipamento ou prazos para revisões, entre outras informações. Concessionários também entram em contato com a polícia, no caso de desvio da rota da máquina. Clientes podem manter sua própria central de monitoramento, uma medida adequada principalmente para quem manté ;m máquinas espalhadas geograficamente.
1 Localização precisa de máquinas
Quem adota o Case Care Geotracs tem acesso às informações de cada máquina em portal da fornecedora. Por meio de qualquer computador, o usuário enxerga relatórios, gráficos e mapas com todo o histórico de sua máquina, o que inclui eventos, percursos, localização, revisões, número de série etc. Clientes interessados em alugar uma retroescavadeira, por exemplo, podem identificar no mapa as que estão mais próximas da sua região.
2 Canais alternativos de comunicação
Uma das principais características do Geotracs é a multiplicidade de canais de transmissão de dados. O software é vendido em duas versões. A mais básica (Auto) utiliza transmissão de dados via protocolo GPRS e localização por satélite (GPS). O sistema oferece a chamada “cerca eletrônica”, horímetro e “botão do pânico”, entre outras funções. Já a versão mais sofisticada, denominada Prime, utiliza telemetria, sistema de mensagens e rede de celular em duas frequências (dualband), além de satélite. Os custos de transmissão de dados estão embutidos no pacote fechado com o concessionário.
3 Telemetria
Até oito sensores da máquina podem ser monitorados remotamente. Por meio de um painel, a central de monitoramento identifica falhas como sujeiras em filtro de ar e temperatura elevada do motor. O cliente é avisado imediatamente sobre o problema. O concessionário envia mecânico, fatura a mão de obra e vende as peças.
4 Teclado dentro da cabine
A tecnologia embarcada permite comunicação entre escritório e operador por meio de mensagens livres ou macros, via teclado. Essa funcionalidade é de grande valia em locais em que o único meio de comunicação é o satélite. Mediante login, o operador informa início e paradas da operação, entre outros eventos, permitindo que o escritório acompanhe remotamente todos os movimentos e identifique o usuário.