Profissional de TI – trainee, júnior, pleno ou sênior?

Você se considera um profissional Trainee, Júnior, Pleno ou Sênior?”. Todos já nos fizemos essa pergunta. Alguns, que frequentam esse espaço e se consideram especialistas, ainda se fazem a mesma indagação: “Sou um especialista TR, JR, PL ou SR?”.
No meu artigo anterior,http://www.tiespecialistas.com.br/2011/03/especialista-em-ti-como/, debutei neste espaço contando como me especializei. Depois disso, alguns colegas me questionaram sobre o momento, pois vivem o dilema de identificar em si ou em outro profissional – colega, chefe, subordinado ou candidato – em que estágio da carreira se encontra. A pergunta é difícil, sobretudo porque o ego ou a modéstia pode interferir na resposta.
E não há referências. Ou há? Qual é a sua referência: Bill Gates, Steve Jobs, Larry Ellison, seu chefe ou seu professor? Para quem não é de TI: Jobim, Gaudí, Da Vinci, Scliar, seu vizinho poeta? Referências distantes ou próximas, a comparação de nossa carreira com a de outrem é sempre um trabalho árduo.
Vou deixar de lado a auto-avaliação e partir para a análise alheia, especialmente a de um candidato. Exemplificarei com um candidato a Analista de Sistemas. Vejamos.
Imaginemos, inicialmente, como o processo da avaliação profissional ocorre.
Em resumo, a diferença entre as gradações é determinada por um estudo que envolve especialistas em análise de sistemas e colegas de RH. São coletadas, elencadas, reunidas e agrupadas habilidades voltadas à arte da entrevista, à percepção de problemas, à diferenciação entre causa e efeito, à criatividade, e finalmente à capacidade de se expressar através da escrita. Para se certificar da qualidade de um profissional, um teste final é planejado. Só resta definir os salários de cada degrau dessa carreira. Deixo agora, aos profissionais de RH, o devido espaço para o detalhamento da definição de um plano de carreira, mapa de habilidades e processo de seleção.
Com tudo isso em mãos, e uma vaga na equipe, só nos resta anunciar, selecionar currículos, chamar para entrevistas, testar e fechar a contratação. Seria simples e fácil, não? Sim, se tivéssemos combinado nosso plano com os russos!
Contudo e invariavelmente nos deparamos com um grande problema: a referência.
Nosso candidato se julga Sênior – porque ele é Pleno no atual trabalho! O currículo mostra um tempo de experiência de Pleno – afinal, assim diz o plano de carreira que você montou com o RH. As habilidades descritas no currículo e repetidas na entrevista denotam um especialista . E a pretensão salarial quebra seu orçamento. Finalmente o teste lhe apresenta um profissional Júnior e bem disposto. Uma simpatia!
Disparidades exageradas à parte, há casos em que o candidato está apenas em contraposição às referências que você montou em sua empresa. Veja novamente: ele se julga Sênior pois quer crescer e melhorar. Ótimo! Tempo é, segundo o Houaiss, a “duração relativa das coisas que cria no ser humano a idéia de presente, passado e futuro” – logo, o seu tempo de gradação pode ser distinto ao meu. Cada um se vende como quer, ou como sua mãe o pintaria: um especialista. Dinheiro é apenas um detalhe. E quanto ao teste, quem aqui nunca ficou nervoso diante de um?
Se o dilema acima não fosse suficiente para lhe complicar a negociação, entra em campo outra referência não citada até aqui: a sua equipe atual. No caso de uma contratação, como confrontar esse profissional com ela, contemplando as variáveis salário, registro em carteira, experiência e conhecimento ou domínio do negócio. Qualquer disparidade gera conflito. Veja no nosso futebol: basta colocar na equipe um astro recém chutado da Europa, com salário milionário, idade avançada, gradação de especialista em carteira, mas rendimento mediano ou alta frequencia no centro médico, que já não vão mais passar a bola para ele.
E você, não se julga especialista? Então, como resolve este problema?
A palavra é sua. Abraços.
Da própria obra
Exalça o remendão seu trabalho de esteta…
Mestre alfaiate gaba o seu corte ao freguês…
Por que motivo só não pode o poeta
Elogiar o que fez?
– Mário Quintana